IV ENA Notícias

Rios da memória das mulheres da agroecologia

Confira a sínteses da plenária das mulheres

Durante a Plenária das Mulheres, sentimos a alegria e a força que traz estarmos juntas aqui, reafirmando nossa luta e a histórica contribuição para a construção da agroecologia. Através do encontro dos rios da memória das mulheres da agroecologia que vieram de todas as regiões do Brasil, resgatamos a memória das resistências das mulheres no enfrentamento ao agronegócio, às multinacionais, às mineradoras que querem expropriar nossos territórios, culturas, histórias e corpos. Seguimos ainda mais firmes e fortalecidas, denunciando todas as formas de violência, opressão e discriminação que se expressam em nossos movimentos através da invisibilização das nossas pautas, do nosso isolamento das decisões políticas e da negação da nossa capacidade de reflexão e ação.

Precisamos de muita coragem para chegar até aqui, frente a todas as dificuldades cotidianas impostas a nós e à conjuntura de crise e golpe que vivemos no país. Mas não recuamos, ecoamos nossas vozes aqui e em todos os lugares! Diante de todos os desafios que o capitalismo, o patriarcado e o racismo impõem, respondemos com a afirmação da agroecologia como uma proposta de vida. Temos afirmado que a agroecologia não é só prática, mas o jeito como o trabalho se organiza, como as pessoas se relacionam entre si e com o ambiente.

Acreditamos que os alimentos saudáveis e nossa união nos deixam mais fortes, saudáveis, resistentes a todas as doenças do corpo e da alma. Consideramos que nossas feiras garantem a soberania alimentar e contribuem para compartilhar da boa saúde das pessoas da roça com as pessoas da cidade. Reafirmamos a necessidade de potencializarmos a comercialização local e com as cidades, para que as pessoas pobres, as/os trabalhadoras/es, possam comer alimento saudável, comida de verdade. É preciso ainda fortalecer os diferentes espaços de construção do conhecimento agroecológico, assim como da educação do campo e popular.

As mulheres negras, quilombolas, indígenas, ribeirinhas denunciam as violências específicas que elas sofrem e que precisam ser enfrentadas coletivamente, e afirmam que suas visões particulares da agroecologia precisam ser respeitadas. Ao mesmo tempo, acreditam que para fortalecer seus modos de vida é preciso unificar todos os movimentos sociais, todas as lutas.

Insistimos que pode haver produção sem veneno, pode haver preservação, mas onde há racismo, machismo, discriminação não há agroecologia! Decretamos, então, esse ENA como um território livre de violências! Estamos aqui para radicalizar a democracia, nas nossas casas, nos nossos movimentos, no nosso país.

Somos mulheres por inteiro, temos desejos, vontades, temos projeto de sociedade, fazemos política, construímos outro jeito de amar e de viver, onde todo mundo possa ser feliz. Hoje afirmamos, ainda, que não existe agroecologia em um campo só, mas um processo coletivo, no campo e na cidade. Ou é pra todo mundo ou não é. Nesse sentido, apresentamos a Marcha das Margaridas como uma ação estratégia em que nos somamos na construção dessas pautas.

Radicalizamos nossa luta! Contra o patriarcado, o racismo, lesbofobia, contra qualquer imposição sobre nossa forma de amar, contra o capital: estamos em fúria feminista!

 

Fora Temer, Lula livre!

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